Aquele fim de Novembro...
"Os atos de nossa vida que julgamos bons e dos quais falamos sem reservas são quase todos daquela primeira categoria 'fácil' e facilmente os esquecemos. Outros atos, dos quais temos dificuldade em falar, nunca mais os esquecemos; são de certo modo mais nossos do que os outros e projetam longas sombras sobre todos os dias de nossa vida."
Lendo esse parágrafo em Alma de Criança, do Hesse, transparece o motivo de tanto silêncio.
Silêncio que sempre foi disfarçado por perguntas pragmáticas e curtas risadas, mas que, de tempos em tempos, convocado pela diluição da idealização do ser, gritava contra seu ímpeto existencial como se não concordasse (ou talvez apenas não a entendesse) com uma simples regra da vida. É nessas horas que entra em cena o cocheiro, tentando arrebatar o furor do cavalo negro, que teima em fazer o que quer e pouco obedece ao comando das rédeas. Porém, naquela ocasião - completamente perdido -, ao perceber que era justamente o mais rebelde e arisco de seus cavalos o único a saber o caminho correto a tomar, o cocheiro passa a ele as rédeas, em um sincero ato de fé (afinal, esse é um cocheiro sábio que escolhe sempre viver):
- Deixo que nos leve!
Espantado com singular atitude daquele que sempre traçou seus caminhos e o impediu que rumasse pelos ventos, a reação daquela ingênua criatura não poderia ser menos surpreendente - afundou suas patas na lama, atolado em dúvidas; empacado estava, pois não lhe apontavam a direção errada para que pudesse seguir a correta.
E como terminou o impasse? Eu não sei. Dizem os mais sábios que até hoje cocheiro e cavalo se encontram no mesmo local, palco do descrito paradoxo. Enquanto esperam que, do céu, caia uma resolução para o problema que enfrentam, sabe-se que passam manhãs, tardes e noites se escondendo sob perguntas pragmáticas, curtas risadas e criando tolas metáforas que por mais ninguém serão ouvidas, e que os distanciam da incoerente, porém lógica, realidade em que se encontram. Ah, e, é claro: sempre que podem, continuam contendo os gritos...
Lendo esse parágrafo em Alma de Criança, do Hesse, transparece o motivo de tanto silêncio.
Silêncio que sempre foi disfarçado por perguntas pragmáticas e curtas risadas, mas que, de tempos em tempos, convocado pela diluição da idealização do ser, gritava contra seu ímpeto existencial como se não concordasse (ou talvez apenas não a entendesse) com uma simples regra da vida. É nessas horas que entra em cena o cocheiro, tentando arrebatar o furor do cavalo negro, que teima em fazer o que quer e pouco obedece ao comando das rédeas. Porém, naquela ocasião - completamente perdido -, ao perceber que era justamente o mais rebelde e arisco de seus cavalos o único a saber o caminho correto a tomar, o cocheiro passa a ele as rédeas, em um sincero ato de fé (afinal, esse é um cocheiro sábio que escolhe sempre viver):
- Deixo que nos leve!
Espantado com singular atitude daquele que sempre traçou seus caminhos e o impediu que rumasse pelos ventos, a reação daquela ingênua criatura não poderia ser menos surpreendente - afundou suas patas na lama, atolado em dúvidas; empacado estava, pois não lhe apontavam a direção errada para que pudesse seguir a correta.
E como terminou o impasse? Eu não sei. Dizem os mais sábios que até hoje cocheiro e cavalo se encontram no mesmo local, palco do descrito paradoxo. Enquanto esperam que, do céu, caia uma resolução para o problema que enfrentam, sabe-se que passam manhãs, tardes e noites se escondendo sob perguntas pragmáticas, curtas risadas e criando tolas metáforas que por mais ninguém serão ouvidas, e que os distanciam da incoerente, porém lógica, realidade em que se encontram. Ah, e, é claro: sempre que podem, continuam contendo os gritos...

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